Sara Guedes Sousa 

— Creative Strategist 



Estratega de marca com passagem pela Bar Ogilvy (2016),
VOQIN’ (2019), Ivity Brands (2021), Nossa™ (2024),
e atualmente como freelancer.

Além da estratégia, escrevo para marcas
e gosto de lhes dar voz. Também escrevo cartas,
e poemas, mas isso é outra conversa.



 


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05     PARRA: A WINE BISTRÔ   AGÊNCIA: LOVE ST. / 2023                                                                                                  


Desafio



No coração de Lisboa, na Rua da Esperança, nasce um wine bar que se pretendia intimista, mas com alma de casa cheia.    
Um antigo talho de traça original revelava a passagem do tempo — paredes, tetos e chão carregados de memória que se queria preservar. O desafio passava por criar uma marca que representasse o expertise sommelier sem pretensão,
um sommelier de t-shirt e ténis.

Queríamos precisão e excelência na execução, mas também descontração e barulho. Queríamos uma identidade com farra. Um nome com curadoria portuguesa, com Portugal na pronúncia. Por outro lado, precisávamos de encontrar uma forma de dar mundo à marca.

O naming queria-se curto, direto, que dissesse ao que vinha e, fundamentalmente, fácil de ser pronunciado por portugueses e estrangeiros — uma palavra capaz de juntar todos à mesma mesa, sem que fosse preciso interromper
a conversa para a soletrar.




Solução Criativa




A identidade verbal e visual nasce desse encontro: por um lado, um legado que respeita o património do espaço
e a sua origem; por outro, um lugar cosmopolita e aberto ao mundo. O Parra enche a boca e os olhos.

Dizemos Parra e sabemos que falamos de vinho e de uvas, mas também de algazarra e descontração.
Uma marca que vive nessa dualidade: entre o conhecimento e o instinto, entre a técnica e o prazer.
Que tanto respeita o ritual do vinho como celebra tudo o que acontece à sua volta. Um espaço que parece sempre ter existido, com muita parra e muita uva.





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05     INDIVISÍVEL   projeto pessoal parceria Rocketshop & IVITY BRANDS / 2025                                                                                                  



A exposição Indivisível conta a história de dez peças que almejam desafiar os limites da (i)materialidade:
a cerâmica com a sua estrutura e densidade abraça, ou liberta, a fragilidade escorregadia de um material como
a cera.

Cada peça, um conto que expõe as fronteiras subtis onde um e outro material começa ou termina.
Provando, no fim, que só assim se pode nascer inteiro. Todas as peças expostas estiveram visíveis num ângulo
de 360º, proporcionando ao público uma experiência imersiva, e também ela indivisível, que convidou
à descoberta das fronteiras individuais de cada uma das esculturas.

A parceria com a Joana Passos Studio pretendia levar os materiais ao limite. Através da cerâmica, congelávamos o esqueleto no tempo, através da cera encontrávamos a alma da peça. Juntas, criámos uma fusão que acreditamos poder elevar os dois materiais, tornando-os um só.


manifesto:

Existe uma tal substância visceral que se faz pulsar na matéria densa e sólida, chamamos de corpo ao que tem estrutura, alma ao grito que vibra num silêncio absoluto, absurdo.

Do encontro desses dois corpos estranhos, nasce a imaterialidade de se ser. Nesse estado, meio vivo e meio morto, aprecia-se o que é ser inteiro. Talvez a deterioração da alma comece muito antes daquilo que se pensava, e talvez seja apenas na divisibilidade que se possa ser um.
Estará essa tal imaterialidade mais perto da imortalidade? Terá um corpo como viver sem ser vivo?
Será uma virtude ter a densidade do espírito sem a solidez do corpo?

Através destes dez pontos de vista, propomos um olhar crítico sobre a dualidade fronteiriça, e tantas vezes subtil,
do corpo-ser e do espírito-estar.
Vislumbremos a, frágil e forte, condição humana, que entre as entranhas, fortes e frágeis,
escrutinam a duplicidade das circunstâncias.
Estaremos nós mais perto de entender que nem tudo aquilo que parte se divide?